Relação dos cenários político e econômico é tema da Reunião-Almoço desta terça

“Perspectivas Econômicas para o Brasil em um ano de eleições presidenciais” é o tema da Reunião-Almoço da ACI que será realizada dia 15 de maio, próxima terça-feira, no Clube Riograndense. Ingressos podem ser adquiridos na ACI, pelo site relacionamento@acimontenegro.org.br ou pelo telefone 3057-4344.

O palestrante será Fernando Marchet, que tem mais de duas décadas de atuação executiva no mercado financeiro e de capitais. É graduado em Administração com área de concentração em finanças e mestre em Economia, ambos pela UFRGS. É também Alumni da London Business School. Marchet adiantou alguns temas que serão tratados na reunião em uma entrevista exclusiva para a ACI. Confira:

 

ACI – De que forma os cenários econômico e político interferem um no outro e como isso fica mais explícito nesse ano eleitoral?
Fernando Marchet – Durante o ano eleitoral, há um pouco mais de sensibilidade e essas duas coisas – política e economia -, que normalmente se retroalimentam, sofrem mais instabilidade, causada pelo âmbito político. Mas depende muito da situação em que a economia está. Se a gente já vem de uma situação de instabilidade (com o estado político instável, um candidato ruim, ou que defenda uma coisa muito heterodoxa, muito fora das expectativas), ele tende a exacerbar uma situação que já é ruim. Se o cenário econômico está bem (até mesmo em 2014, quando estávamos em crise, mas a população ainda não tinha concepção disso), pode acontecer a coisa mais horrenda do mundo, o candidato se reelege, porque a economia está bem e a população não está se sentindo em um momento instável, não sente o problema no seu dia a dia.

Sobre a nossa realidade atual: a gente passou por uma mudança importante no âmbito econômico, que pode refletir positivamente no ambiente político. Porém, ainda estamos em um momento de muita instabilidade. Se observarmos os gráficos de como se comportavam as expectativas econômicas no Brasil (que mede a propensão para investir e consumir), estávamos em um dos piores momentos dos últimos 10 anos durante o pré-impeachment da Dilma.

 

Mudança de expectativas

Quando o Temer assumiu, ele acabou escolhendo o Henrique Meireles como Ministro da Fazenda e outros nomes para compor aquela pasta. Pessoas inquestionáveis para cada função dentro dessa pasta. Currículo, experiência, técnicos. A escalação desse time permitiu que o ambiente de negócios mudasse, assim como as expectativas. A simples formação do time já cria uma expectativa positiva. Quando o empresariado percebe que o cenário vai melhorar, ele investe, contrata, não demite, investe… O trabalhador, por sua vez, também se movimenta: não fica com medo de perder o emprego, ele consome, troca a geladeira. A propensão a voltar a consumir, a tomar crédito.

Na troca da Economia, os bancos desobstruíram os canais de crédito, diminuindo burocracias, exigências e garantias. Isso porque, com a melhora do ambiente, os bancos entendem que as empresas terão condições de quitar seus compromissos. Não são coincidências. Foram ações técnicas, dentro do âmbito político, que mudaram tudo. A área política se compromete com as reformas e a econômica se compromete em fazer o possível para que a inflação volte à meta, mesmo que tenhamos que subir a taxa de juros. Isso, de fato, provocou uma redução importantíssima na inflação num curto período. No Governo anterior ninguém acredita que podia-se usar a política monetária para levar a inflação à meta.

 

Apesar da política “suja”, economia vem melhorando

Apesar de toda a sujeira que nós vivemos na política desde então, a Economia vem melhorando. Pudemos perceber quantitativamente os sinais de melhora e retomada de alguns setores. Obviamente ainda de maneira muito lenta, o que é normal após uma crise severa como a que vivemos. Determinados setores perderam 40% da sua produção. O empresário e o consumidor vão testando e sentindo o mercado.

Eles se interferem, relacionam e dependem muito de como as coisas estão. Se tivermos uma situação econômica melhor no segundo semestre, isso vai influenciar a eleição. Como isso? Determinando que a eleição se dê mais para o centro, ou seja, quem defende, entre outros aspectos, um estado menor, controle sobre a inflação, um câmbio flutuante e menor taxa de juros. Se estivermos vivendo um momento ruim da economia, há espaço para o que eu chamo de “bordas”, com ideias heterodoxas que já não são comuns no Brasil.

 

ACI – No RS, essa tomada está acontecendo?

Marchet – O RS tem dois pilares importantes: o metalmecânico e o agronegócio. O setor de serviço, que inclui aí o comércio, também se destaca. Nos últimos anos, a indústria no Estado sofreu muito com a crise. Porém, o agro teve um 2017 muito bom e foi um fator importante para puxar a economia. Até porque em cidades do interior toda a cadeia é impactada pelo agro, diferente de Porto Alegre e outras cidades mais industrializadas. Hoje percebemos setores caminhando com melhora, alguns específicos crescendo até 12%. Mas no geral ainda é um crescimento modesto. A indústria de bens de capital, que sofreu muito na crise recente, será a principal responsável pela retomada. O setor de serviços é dependente do emprego. E esse movimento de retomada do emprego é mais lento. A expectativa é que viveremos um período bem melhor em meados de 2019. Mas acredito que já sentiremos melhoras durante o período eleitoral.

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